Páginas

    Social Items

Em 1957, a União Soviética lançou o satélite Sputnik-1, o primeiro a orbitar a Terra; quatro anos depois, Yuri Gagarin se tornou o primeiro humano a ir para o espaço. Mesmo após o fim da União Soviética, a Rússia se manteve firme como uma grande potência espacial e se juntou aos Estados Unidos na construção e operação da Estação Espacial Internacional (ISS) - mas agora o futuro do programa espacial russo depende da China.


A ISS foi lançada em 1998 e desde então tem recebido astronautas de diferentes nações. Joan S. Johnson-Freese, professora de segurança nacional do United States Naval War College, diz que a cooperação russo-americana na ISS é o maior símbolo da capacidade dos países de trabalharem juntos, mesmo em tempos de tensão: “Hoje, este aqui a tensão chegou a um ponto em que não há mais grandes apostas ”, diz ele. Autoridades russas já sinalizaram que podem deixar a ISS após o término do atual acordo, que termina em 2024.


Entre os motivos da saída estão questões políticas: segundo Dmitri Rogozin, diretor da agência espacial russa Roscosmos, o país deve se retirar da ISS se os Estados Unidos mantiverem sanções que afetem o programa espacial russo. A China, por sua vez, nunca foi convidada a ingressar na ISS por conta de legislação estabelecida pelo Congresso dos Estados Unidos em 2011, que impede a cooperação com o país asiático. Portanto, a China lançou recentemente os módulos de sua futura estação espacial Tiangong-3 e prometeu receber astronautas e experimentos de outras nações também - se a ISS realmente chegar ao fim em 2024, o país já deve ter sua própria estação orbital até então.


Alexander Gabuev, do Carnegie Moscow Center, considera que a China tem um programa espacial ambicioso, os recursos para colocá-lo em prática e o planejamento necessário para isso: “A Rússia, ao contrário, precisa de um parceiro”, explica. Essa parceria entre as nações reflete a geopolítica global de hoje, marcada pela aproximação entre China e Rússia por meio de suas atuais lideranças. É neste contexto que nasceram novas alianças, firmadas contra o que consideram ser um comportamento hegemônico por parte dos Estados Unidos.


Nova cooperação espacial

Mesmo com o antigo programa espacial e a vasta experiência adquirida, a Rússia achou difícil sustentar seu programa. Para piorar, o país também enfrenta a obsolescência, a corrupção e a falta de recursos para seus projetos. Por outro lado, a China subiu ao topo da lista de potências espaciais com missões que a Rússia nunca foi capaz de realizar, incluindo o recente pouso do rover chinês Zhurong em Marte.


Então, após anos de possibilidades e promessas, os dois países começaram a planejar missões ambiciosas que devem competir diretamente com aquelas dos norte-americanos e seus parceiros: a China e a Rússia estão unidas no projeto de lançar uma missão robótica rumo ao asteroide Kamo’oalewa em 2024, e vêm coordenando uma série de missões para criar uma base na Lua em 2030. A primeira dessas missões será uma nave russa chamada Luna, nome que acena a uma das missões soviéticas, e tem lançamento estimado para outubro de 2021.


O acordo para a construção da base lunar sugere um envolvimento profundo entre as duas nações: “os russos têm a expertise, e os chineses, os recursos”, comentou Gregory Kulacki, gerente de projeto da China na Union of Concerned Scientists. O país asiático espera que a futura estação demonstre a habilidade de obter água e recursos minerais e energéticos, que podem permitir a sobrevivência de astronautas a curto prazo, servindo também como uma base para a exploração mais profunda do espaço.


A colaboração entre as duas nações não é recente: os primeiros astronautas chineses foram ao espaço vestindo trajes espaciais russos, e foi somente depois que a China desenvolveu seus próprios trajes com base no design russo. Assim, ao se unir com a China, a Rússia conseguirá investir em grandes empreitadas científicas que não conseguiu sozinha após o fim da União Soviética.

Fonte: Canaltech

China e Rússia se unem e enfrentam uma nova corrida espacial com os EUA

Em 1957, a União Soviética lançou o satélite Sputnik-1, o primeiro a orbitar a Terra; quatro anos depois, Yuri Gagarin se tornou o primeiro humano a ir para o espaço. Mesmo após o fim da União Soviética, a Rússia se manteve firme como uma grande potência espacial e se juntou aos Estados Unidos na construção e operação da Estação Espacial Internacional (ISS) - mas agora o futuro do programa espacial russo depende da China.


A ISS foi lançada em 1998 e desde então tem recebido astronautas de diferentes nações. Joan S. Johnson-Freese, professora de segurança nacional do United States Naval War College, diz que a cooperação russo-americana na ISS é o maior símbolo da capacidade dos países de trabalharem juntos, mesmo em tempos de tensão: “Hoje, este aqui a tensão chegou a um ponto em que não há mais grandes apostas ”, diz ele. Autoridades russas já sinalizaram que podem deixar a ISS após o término do atual acordo, que termina em 2024.


Entre os motivos da saída estão questões políticas: segundo Dmitri Rogozin, diretor da agência espacial russa Roscosmos, o país deve se retirar da ISS se os Estados Unidos mantiverem sanções que afetem o programa espacial russo. A China, por sua vez, nunca foi convidada a ingressar na ISS por conta de legislação estabelecida pelo Congresso dos Estados Unidos em 2011, que impede a cooperação com o país asiático. Portanto, a China lançou recentemente os módulos de sua futura estação espacial Tiangong-3 e prometeu receber astronautas e experimentos de outras nações também - se a ISS realmente chegar ao fim em 2024, o país já deve ter sua própria estação orbital até então.


Alexander Gabuev, do Carnegie Moscow Center, considera que a China tem um programa espacial ambicioso, os recursos para colocá-lo em prática e o planejamento necessário para isso: “A Rússia, ao contrário, precisa de um parceiro”, explica. Essa parceria entre as nações reflete a geopolítica global de hoje, marcada pela aproximação entre China e Rússia por meio de suas atuais lideranças. É neste contexto que nasceram novas alianças, firmadas contra o que consideram ser um comportamento hegemônico por parte dos Estados Unidos.


Nova cooperação espacial

Mesmo com o antigo programa espacial e a vasta experiência adquirida, a Rússia achou difícil sustentar seu programa. Para piorar, o país também enfrenta a obsolescência, a corrupção e a falta de recursos para seus projetos. Por outro lado, a China subiu ao topo da lista de potências espaciais com missões que a Rússia nunca foi capaz de realizar, incluindo o recente pouso do rover chinês Zhurong em Marte.


Então, após anos de possibilidades e promessas, os dois países começaram a planejar missões ambiciosas que devem competir diretamente com aquelas dos norte-americanos e seus parceiros: a China e a Rússia estão unidas no projeto de lançar uma missão robótica rumo ao asteroide Kamo’oalewa em 2024, e vêm coordenando uma série de missões para criar uma base na Lua em 2030. A primeira dessas missões será uma nave russa chamada Luna, nome que acena a uma das missões soviéticas, e tem lançamento estimado para outubro de 2021.


O acordo para a construção da base lunar sugere um envolvimento profundo entre as duas nações: “os russos têm a expertise, e os chineses, os recursos”, comentou Gregory Kulacki, gerente de projeto da China na Union of Concerned Scientists. O país asiático espera que a futura estação demonstre a habilidade de obter água e recursos minerais e energéticos, que podem permitir a sobrevivência de astronautas a curto prazo, servindo também como uma base para a exploração mais profunda do espaço.


A colaboração entre as duas nações não é recente: os primeiros astronautas chineses foram ao espaço vestindo trajes espaciais russos, e foi somente depois que a China desenvolveu seus próprios trajes com base no design russo. Assim, ao se unir com a China, a Rússia conseguirá investir em grandes empreitadas científicas que não conseguiu sozinha após o fim da União Soviética.

Fonte: Canaltech

Nenhum comentário:

Postar um comentário